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Blog de Ana Cláudia
 


Lendo para Taine

 

 

 

Onde estará o verdadeiro poder? Na temporalidade corrompida pelas ilusões da força

bruta ou no sentimento que não se toca e não se vê, mas é capaz de mover o mundo 

em fiel atitude de entrega?

Enquanto respirar estarei escrevendo para você.

Todas as histórias de luta e esperança, são suas, porque é para acalmar os teus olhos que as estou contando.

Para que saibas o quanto amo poder ser aquela que continua te gerando, apesar das individualidades que nos distinguem como seres completos em nossas intangíveis complexidades.

Os assassinos não sabem ler poesia.

Não importa se eles são formados doutores ou juízes, se são agregados ao mando ou à subserviência...quem violenta a vida não leu jamais uma poesia, ainda que as declame por empréstimo, jamais entendeu o que é amar.

Para nós a realidade alcança  a possibilidade ímpar da sublimação.

Os que destroem não podem entender essas coisas puras.

Adormece meu anjo, não te inquietes com os destinos da lama. A ti cabe a tranquilidade de quem não precisa voltar pelos mesmos caminhos pedregosos.

Sequer pensa no esforço feito durante a subida. Agora é hora de contemplar a beleza que só quem ama prevê.

És mais que tudo aquilo dito. És sentido, sentimento. És amor.

Para ti brilham meus olhos.

Aceita essa poesia de encantamento diante do imenso poder da vida sobre todas as ilusões da morte.

Quem matou foi quem morreu.

Te amo, nos amamos, amor não morre.

Dorme.


 



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 22h24
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Solidariedade estendida

Esse diário online no qual registro a subida íngreme que desvelo nos descaminhos da vida, abre-se outra vez.

Solidário. Macio em abraço afetuoso aos que sofrem. Sim, eles estão acolhidos nestas linhas. Estou entre eles com a dor que nos configura pais aos pés da cruz.

Em sentida reverência à família de Eric Ferraz, mais um menino retirado do berço amoroso por motivo fútil, fincado na certeza da impunidade, das facilidades jurídicas que incentivam o violento a matar.

À família, em seu longo testemunho agora iniciado, nossas orações em busca da misericórdia de Deus, a única que nos resta quando a perda de parte do coração atinge a nossa casa.

Esse clamor dolorido por justiça que sai do vosso peito em agonia, como único antídoto para o sofrimento atroz, endossa o nosso e o de tantos outros pais e mães de Alagoas.

Compreendemos tudo o que vivem, nesses dias que mais parecem castigos, no desespero de acordar do pesadelo...desejando não viver, não seguir. Mas será preciso ir.

Nossos filhos foram resgatados pela bondade do Pai, que das maiores atrocidades retira Luz e transforma em Esperança! Jamais sendo condescendente com o crime, Deus ampara as vítimas.

Desejamos para vós a paciência necessária ao fortalecimento, essa luta não acaba em um dia, como a dor não estanca...

Apesar do peso da cruz, estamos juntos nessa via.



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 19h34
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Sobre o pântano brilha a luz

Há exatos 4 anos o testemunho do menino Taine começou, na cidade de Matriz de Camaragibe, resvalando pelas beiradas de diversas instituições alagoanas, no depreciar da lei e da justiça que esboçaram.

         Foi em 30 de agosto de 2007 que ele aos 12 anos de idade, foi torturado! Ainda há quem procure saber as causas no intuito de julgar o mérito, revelando nosso despreparo para a vida civilizada! Torturar uma criança, já é por si, um ato vil, independe da causa!

         Contudo, registro hoje a data infame, não como uma tendência masoquista de buscar o sofrimento, mas como uma atitude cidadã, marcadamente comprometida com a sociedade justa e igualitária que em discursos a tantos encanta.

         Aponto, pelos descaminhos dessa história de sofrimento e luta por justiça, que Alagoas não sabe o que é isso!

         Foi mais fácil acusar e condenar a vítima, do que punir os culpados! Foi muito mais fácil fazê-lo arrastar o trauma até o último momento, do que manifestar uma única atitude decente, que lhe falasse de reparos ao dano sofrido, que lhe resgatasse a estima e a identidade de pertença a uma sociedade de direitos.

         Sua morte traumática e mal explicada se derrama em culpa sobre muitas mãos! A justiça alagoana não pagou o que deve a Alexystaine Laurindo! Seus algozes continuam gozando o trono da impunidade e sua juventude destroçada simboliza a iniqüidade que gruda ao símbolo de uma balança infiel, que pende sempre para o lado do poder.

         Desde o princípio estive ao seu lado, filho! Jamais te deixarei. Todas as denúncias saíram das nossas bocas, em conjunto, como um coro de dor e força...seguiremos em proximidade pelo imenso amor que jamais se esgota, e se a justiça da terra não se faz valer, creia na fidelidade do Deus que nos criou para a vida plena!

         Somos apenas mais uma família, entre tantas que padecem a dilaceração de ter que passar pela prova da perda aparente, entre os algozes fantasiados de autoridade, contudo, assim como a misericórdia de Deus socorreu os seguidores de Jesus pela vitória da eternidade sobre as autoridades vingadoras e sanguinárias de outrora, também nós somos hoje os seus prediletos! Essa mesma misericórdia te envolve e protege, onde estás eles não te alcançarão, enquanto fogem da própria consciência culpada.

         Se ainda não canto com os pássaros a chegada da primavera, é porque tua ausência dói como um espinho cravado no peito! Mesmo assim, amado, a esperança comanda o leme da história, e aquele dia supremo de felicidade em honra dos injustiçados há vir.

         Por enquanto sonhamos com ele por sobre os escombros do pesadelo. A luz que ora vislumbras, ainda não alcançou a sociedade terrena. Pede a Deus por nós!     



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 08h23
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Quando as estrelas brilham saudade

 


Nada em ti foi previsível

Nem anjo e nem apenas menino

Um sonho de singularidade mal compreendido.

Que saudade do teu abraço.

Por mais abraços que encontre, o teu jamais será

Substituído.

Por essa razão esperarei o reencontro.

Só tu vais poder me devolver aquela certeza

De abraçar-te, filho!

Quando eu partir, será assim como a continuidade

De uma tarefa já antes começada.

A morte não é fim, é sequência...o casulo fica

E a borboleta parte, batendo as asas luminosas...

Livre!!!!

Saudade não seja grilhão, mas carícia em teu rosto moreno.

Tua identidade desprovida de preconceitos

Orienta o rumo da minha cura.

Amar é ser capaz de deixar ir.

Ainda que na ida tenhas levado tanto da alegria

Que esquentava meu rosto, e um tanto assim de solidão

E de desgosto.

Ainda assim saber que o caminho do futuro é longo.

Não há dispensa, teremos que partir.

Feliz de ti na genuína beleza da juventude

A renegar as acomodações que esfumaçam

A injustiça!

Vôa meu anjo, cada vez mais alto...para a luz que reúne

Todas as cores!

Olha um pouco para mim, de vez em quando, e quando Eu chorar não recues, pede apenas que o Papai do Céu me ponha no colo

Porque estarei criança que caiu da cama na metade do sonho...

E ainda não entende muito bem a realidade.

Tu, alma iluminada, ajuda as estrelas a brilharem mais.

 



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 20h16
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O sonho (ser alagoano dói)

O que urde o fim do sonho, inserido nos círculos de poder, derrama-se

Em ilusões e garantias. Está protegido pela lei!

Somos uma complexa rede de convívios, largamente envolvida pela ânsia do

Imediato.

O fraco nem sempre é o que parece fracassar.

Quem não consegue segurar o olhar, muitas vezes perde a força.

Também quem cultiva o medo de falar, nem sempre desconhece a letra.

É complexo, mas dá para entender.

Nem sempre há alegria possível, mas o gosto de fazer o bem nem sempre é alegre.

Tantas vezes é resignado.

Sem fé não caminharia nem mais um passo, e isso é o que perturba.

Não sei se a fé move montanhas, mas garanto que sustenta o olhar da gente

Na direção da ética, da solidariedade, da luta envolta em sol.

Sol causticante que queima e acaricia a alma dos alagoanos sobreviventes.

Entre a miséria e a bala há gente sonhando um tempo melhor, com dias sem fome

E sem lágrimas nos olhos.

Fim de tarde, põe-se o sol e a lua chega mas poucos percebem. O fato é que a lua não

Precisa de platéia para aparecer.

Assim como o Amor não precisa de permissão para sobreviver.

Todos os caminheiros de ontem estão em mim.

Rosto fechado em sabedoria, ar carrancudo e coração morno de saudade,

Molhado de banho de rio antes das usinas poluírem todos eles.

Seriedade configurada na herança do mesmo sonho, tantas vezes morto e insepulto,

O ressuscitado sonho de viver em paz, sendo gente, apenas isso!



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 23h48
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Bençãos a Odilon Rios no dia dos pais!

Se o único sentido dessa vida pudesse ser resumido ao que se ver e pode ser tocado, sim, os maus teriam vencido!

Mas a sabedoria divina reservou a Grande Alegria aos corações capazes de amar, permitindo a transcendência dos sentimentos sublimes na perpetuação da beleza que rompe barreiras, que supera distâncias, chamada Amor!

Pelo amor que justifica as batidas do teu imenso coração de pai, creia na presença imaterial do teu menino, neste dia capaz de misturar o que é mundano ao que é celestial, na tua agonia de pai sem o abraço físico do filho.

Teu amor caudaloso como todos os rios que constroem teu nome, expressando a capacidade de adentrar a força dos mares por aqueles a quem amas, homenageio o pai-herói Odilon, grandes braços abertos acolhendo amores e dores nos alagadiços desta terra dura chamada Alagoas.

Tua saudade fincada no testemunho da luta acaricia a face do teu filho Taine, teu Tatá, como tu mesmo chamavas.

Ele. Envolvendo-te pai amado, em sentidas preces, jamais deixará de te presentear.

Amor não se compra, não se mede, sequer é compreendido por todos os mortais! Porque amor não morre, é pura energia em sua condição original de vida.

A despeito do silêncio que hoje envolve tuas horas, mesmo que tudo pareça triste aos teus olhos, não estarás sem o amor dos teus filhos, os quatro preciosos espíritos que Deus-Pai te confiou para conduzires desde a terra rumo ao céu.

Segue tua jornada profícua, semeador de novas perspectivas, sorriso aberto e olhar firme na direção das estrelas, buscando refúgio na sabedoria do Construtor do Universo, que jamais nos permitirá desperdiçar a fé.

A resposta de Deus te acompanha, ainda que haja dor, Ele te presenteará sempre com muito, muito amor! Sempre haverá dia dos pais para você.



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 10h27
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Aos avós de Alexystaine

 

Neste lindo Dia dos Avós homenageio com sentidas palavras José Bento e Gedalva Laurindo, avós de José Alexystaine Laurindo, pelo nicho de amor e bençãos que conseguiram abrir em seus corações acolhedores de netos.

Se a inspiração deste dia vem da simbólica representação religiosa de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, confiro aos acima citados a simbólica representação de todos os avós alagoanos que foram obrigados pelo sistema bruto aqui vigente a enterrar seus netos.

Que a recordação mais forte para os amados avós seja aquela festa do netinho na chegada do colégio com uma lembrancinha confeccionada durante a aula do dia, onde um poeminha escrito com letras tortas falava do imenso amor que os unirá eternidade afora.

Todas as manhãs compartilhadas com bolos e sanduíches, os almoços exageradamente regados a refrigerantes e todas as musicalidades em gritos e gargalhadas sejam as marcas dessa fantástica relação amorosa, abruptamente ferida e adiada.

Meu pai, avô primoroso compatilhando a cruz desde a tortura vivida pelo neto aos 12 anos de idade; repetindo em audiências as barbaridades ouvidas da boca do delegado de Matriz de Camaragibe, rememorando a visão do menino algemado, pés ensaguentados e sujos de lama, o fim de uma infância feliz e o começo da adolescência perturbada. Foi o mesmo avô que recebeu a notícia da tragédia e tocou o rosto ainda morno do seu menino assassinado.

Minha mãe, entrega absoluta aos amores em dores! Defesa ímpar do que lhe foi arrancado impiedosamente pela injustiça que se assenta nos tronos corruptíveis da terra. Lágrimas que não secam ainda escorrem em suas faces, cessando apenas quando o raio luminoso da fé a faz vislumbrar o paraíso no qual o neto amado se recolhe nestas horas.

Meus amados pais, avós de tantos netos a lhes segurar a chama da vida, apesar da ferida aberta que não cicatriza!

Desejo malsinado de contemplar uma justiça que Alagoas não tem autonomia suficiente para lhes oferecer.

Que neste primeiro Dia dos Avós sem a beleza marcante da presença física de seu Taininho, as graças celestiais de Joaquim e Ana levem-lhes o consolo, de saber que um dia a cruz será vencida e o triunfo da vida não poderá mais ser adiado.

Gostaria muito que vocês tivessem, numa perspectiva transcendente e sobreviva, ao menos um lindo Dia dos Avós!



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 10h07
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Sem alternativas

Qual o tamanho da alternativa apresentada pela justiça brasileira aos familiares de vítimas?

Nossas alternativas tem sido estas:

sofrer desmesuradamente os efeitos da violência;

desacreditar cada vez mais na segurança pública;

sofrer mais quando luta por justiça;

suportar a promiscuidade das burocracias jurídicas, que ao fim, beneficiam criminosos;

até chegar o momento de reencontrar o criminoso nas ruas, livre e pronto para impor a própria lei,

consciente de que aqui o crime compensa!

Só está faltando criar a bolsa-crime na ilusão de ressocializar aqueles que buscaram outras vias de socialização,

pois as facções criminosas representam nichos de socialização, embora não sejam assim reconhecidos.

Contudo, em sociedade, todos os agrupamentos podem criar formas de socialização.

Quem vai ficando cada vez menos socializado é o cidadão comum, trabalhador, pagador de imposto,

pois que está sendo obrigado ao confinamento no lar, sem direitos respeitados e esperanças de felicidade.

Qual alternativa?

 



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 00h30
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A república torta

Sobram argumentos

mas os contrapontos atuam na subjetividade

e a colonização da alma define a história escrita.

No final, o registro será feito pelo poder.

Nem sempre legítimo, porém legal.

No Brasil tortura é crime grave.

Um juiz dá uma sentença em um processo de tortura

e penaliza com quatro anos de reclusão.

No mínimo, há uma anomalia jurídica.

Sim, sobram argumentos!

Falta-nos um quê de civilização que pudesse de fato, nos distinguir da barbárie.

Sobram razões.

Mas quem irá defendê-las?

A voz do povo aqui não vale nada.

A voz dos advogados valem mais que a de Deus.

Essa república do banguê chamada Alagoas não sabe ler!

Quando lê, interpreta ao bel prazer.

Ser civilizado aqui vai se tornando uma tarefa hercúlea.

Ser espiritualizado, então, uma façanha lendária.

Quem nos salvará desse desdém do progresso alagoano?

Onde encontraremos respeito ao direito e à vida, nesse xadrez marcado pelo rei?

Quimeras, só quimeras...

Ou vamos embora logo ou morreremos assassinados também!

Nunca houve história brasileira aqui, sem república, democracia ou direitos humanos,

o sangue derramado é a chave da história de Alagoas!



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 12h28
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Perguntas que não calam

Algumas perguntas entalaram na garganta e não querem calar!

São insistentes, frutos do raciocínio, da capacidade de analisar:

1. Por que o ministério público camaragibano eximiu dois policiais civis de um crime denunciado por mim, previsto no ECA, quando eles conduziram

meu filho de apenas 12 anos em camburão, sem avisar aos adultos responsáveis, beneficiando com isso, os acusados, que tiveram como pena  simples

tarefa de pagar um salário mínimo a uma instituição de caridade, mesmo participando de um ritual de tortura imposto a uma criança?

 

2. Por que na infeliz entrevista concedida à imprensa alagoana por um representante da polícia civil camaragibana, na qual fui acusada de tráfico e meu filho

falecido acusado de vagabundagem e outras barbaridades, sua fala era condescendente com  o assassino ressaltando que o mesmo havia perdido a mãe há pouco tempo?

 

3. Por que os guardas municipais acusados de torturar meu filho, mesmo sendo julgado e condenados, permanecem nos cargos normalmente em Matriz de Camaragibe, sendo um deles Secretário de Segurança do município?

 

4. Por que o ministério público camaragibano não se pronuncia quanto ao fato de um secretário de segurança que ele  mesmo acusa como culpado por tortura, ainda exerça impunemente uma função desse porte ?

 

5. Por que a justiça camaragibana revogou o pedido de prisão do assassino de Alexystaine Laurindo por excesso de prazo deste em recolhimento, apesar da periculosidade que o indivíduo carrega, dado os vários crimes que já cometeu?

 

6. Como uma família de baixa renda como a do assassino pode pagar advogado ?

 

7. Será que Matriz de Camaragibe não está satisfeita com todos os males que já causou a Alexystaine e sua família, ou alguém está interessado em ajudar o assassino?

 

8. Por que haveria de ajudá-lo?

Se alguém tiver alguma resposta para essa perguntas...

Até agora prevalece a indignação dessa mãe que não esquece a injustiça e o crime cometido contra seu filho, e como brasileira pagadora de impostos

sente a legitimidade em questionar o aparato instítucional alagoano e o próprio estado, relembrando aos seus membros bem pagos com dinheiro público que suas funções é operar em benefício da coletividade.

 



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 17h42
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O anjo da morte é alagoano

Quem buscava o sol, de braços abertos, peito jovem inclinado na direção do vento...

Encontrou o golpe! A sujeira grudada na mente desordeira, o covarde gesto de empunhar a arma diante do olhar indefeso.

Alagoas, manto da covardia institucionalizada, da impunidade descarada!

Os lindos cachos que ornaram o rosto de Taine, o sorriso amplo, o olhar de melaço de cana...

A poesia tolhida violentamente!

A cama vazia e o eco dos lamentos.

Alagoas, chagas sociais encobertas por parasitas, sejam institucionais, políticos, legais...

A reverência aos sonhos do menino mártir!

O amor em seu desfiar esperança, de confiança na eternidade...

Alagoas e seus casos de maldade!

Criminoso que apura crimes, culpado que julga e condena!

Terra do pesadelo de quem espera justiça, um canto mavioso que por aqui não se ouve!

Nunca houve!

Deus designou extensas falagens de anjos só para receber as vítimas de violência conjuntural, institucional e social

que migram daqui para o além todos os dias!

Quem irá amanhã?



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 00h11
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Brisas de maio

Como se o frio de maio pudesse congelar o coração da gente, como se a brisa soprasse na direção do nada e apagasse os caminhos tortuosos e os rastros da maldade, mas não apaga...

O silêncio oportuno não será capaz de apagar o que existe, e nem tudo o que existe pode ser visto...

As ondas do celular ninguém as ver, contudo sem elas não existiria o aparelho difundido aos quatro cantos do consumo...

Enquanto a consciência existir alguém saberá o que aconteceu, o que acontece nessa terra injusta chamada Alagoas!

            Criminosos impunes, condenados ou não pela justiça local, assoviam nas calçadas, roupas largas, ares de bons moços...

O sangue de suas vítimas ensopam-lhes as pegadas...

Escolheram a mancha do suspiro alheio a ornar suas frontes de lobos em peles de cordeiros.

A passividade da sociedade é anomalia assustadora.

            Os centros acadêmicos desviam a rota das discussões importantes, a sociedade civil organizada preza por questões salariais, os analfabetizados lutam por cargos comissionados; poucos de nós se fazem capazes de levar a vida a sério, sob a pauta da ética e do respeito ao bem comum. Enquanto isso o governo derrama muito dinheiro na mídia para se convencer de que está tudo certo assim.

            As chuvas de maio derrubam barreiras, casas e perspectivas. Um povo empobrecido mendiga cuidados sociais. A mortandade assola, leva a juventude embora. Os caciques políticos e seus jagunços fazem as leis locais.

            Todos sabem; ninguém sabe nada!

Criminosos condenados ou não, seguem destroçando vidas enquanto a impunidade é a lei mais forte em Alagoas.

 

 



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 07h22
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Não desisti filho!

 

Há seis meses não ouço seu chamado peculiar ao telefone, seu sorriso manso e radiante de beleza (ainda que guardada!).

A causa foi aquela bala! A bala banalizada, que vara cabeças e sonhos, despedaçando os corações que amam!

Aprendi que não há superação para essa dor! Não há!

Contudo, essa dor mostrou, o que a alegria jamais revelará...

Entendi a agonia de quem discute a maioridade penal. Pois quando alguém dispara na cabeça do filho da gente, e tem apenas 17 anos, em nosso país não cometeu um crime, mas apenas uma infração!

Um ato sem retorno, sem estorno...um infrator levou meu sorriso para sempre...

Voltará às ruas a qualquer momento.

A mesma cidade que foi palco da morte, hoje assistiu outro assassinato. Outro jovem.

No anunciar da tragédia as pessoas comentam: era um brigador! O assassino estava justificado! A culpa é de quem morre. Quem mata contará com um aparato de favores, da sociedade e do judiciário, e dos advogados, e do código penal...enfim, só não se torna criminoso no Brasil quem não quer ser.

Sim, nossa única garantia caminha pelo fio tênue da edificação do senso moral. Vinculado a outras construções sociais.

Mas estamos no país da corrupção ativa e passiva!

País onde o crime compensa.

A omissão é garantia de permanência em espaços de poder. Corporativismo, autoritarismo, servilismo...quantos “ismos” a fortalecer a morte!

Como acreditar nas instituições?

Meu país não me leva a sério.

Saudade é força de propulsão! Devo a meu filho a continuidade da luta, da jornada íngreme amenizada apenas pelo grito que ecoa falando de amor como coragem, renúncia, esperança...

Na verdade eu ouço aquela voz...no meu próprio coração, dizendo, não desiste mãe...



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 19h53
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Quando cai o véu

Não contabilizo as mentiras que se materializam em gestos, se expõem em sorrisos, apertos de mão e tapinhas nas costas! Muitos foram os omissos e covardes a tentar me convencer que a dor cega e enlouquece uma mãe.

            Desminto seus vis argumentos! A dor é um colírio poderoso, quem não enxergar através dela precisará de ato cirúrgico, pois que a verdadeira cegueira aí se instaurou. Foram as lágrimas mais volumosas que limparam o cristalino, conferindo aos meus olhos a potência da visão.

            Vi o descaso com o qual a vida e a morte são tratadas em Alagoas! Senti na pele a humilhação de quem sobe os infames degraus do IML; a frieza e arrogância do legista, a banalização do próprio erro e o empurra de culpas. No atestado de óbito do meu filho um endereço estranho: uma rua que não conheço, uma cidade onde não viveu nem morreu, contudo, o IML não assumiu nem desfez o erro. Está registrado assim!

            Minha loucura foi expressar a indignação diante de todos os “erros” institucionais! Minha sanidade é denunciar o descompromisso e prever a esperança como fruto de uma luta assumida por todos, quanto mais evitada, mais retardada! A cada dia vejo o renascer o sol...a cicatrização que ele anuncia não entorpecerá a mente, nem subornará o coração!

            Meus filhos são cada um dos meninos despojados de oportunidades, a perambular pelas vielas da dor, do abandono, da perseguição...os órfãos do meu tempo...

Sempre que eu falar de esperança estarei acariciando um rosto de filho!

Meu jejum absoluto de jamais sentar na mesa da iniqüidade, manterá o canto triste e contínuo na minha voz. Cada vez mais materna! Cada vez mais cidadã! Mais humana...

Nem anéis, nem medalhas, nem reconhecimento me interessam!

A luta pela vida, e pela vida em abundância, é o combustível do meu respirar! Na consciência de que sou mãe, vítima da violência social e institucional em Alagoas, com olhos de ver e mente de pensar.



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 08h12
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Meus dias de mãe

Sobre quantas mentiras e medos deverei firmar minha vida?

Recuso a oferta iníqua da falsa sensação de segurança.

Segurar o que, quando minha vida foi violada e os inimigos da justiça

Continuam gerenciando a história?

Dias das mães não foi meu dia!

Recusei a brincadeira mercadológica e as tradições que dissimulam as dores.

Sofri a memória da injustiça materializada em minha vida, entre tantas

Com menos voz do que eu mesma!

Não foi apenas a perda da presença física do filho amado, mas o

Convívio com a corrupção material e imaterial que alimenta a impunidade.

Há um ano: dia das mães de 2010, meu filho chegou chorando, afirmando ter

Sido vítima de assédio pelo mesmo denunciado de tortura, hoje condenado em

Sentença judicial, mas que, apesar disso, continua sendo SECRETÁRIO DE SEGURANÇA  em Matriz de Camaragibe!

Que piada de mal gosto é o Estado brasileiro ?!

Na ocasião, o mesmo olhou para meu filho, à época com 15 anos, e colocou a mão

Sobre o que sugeria ser um revólver.

Meu filho chorava em meus braços! Minhas palavras não o consolavam mais.

A tragédia se insinuava, rondando o mesmo palco, os mesmos autores, a mesma vítima... Será que há coincidência nessa história?

Não me aconselhem a ter medo.

Olhe para o seu filho que joga videogame em casa tenha medo de vê-lo viver o que eu vi o meu filho.

Não se preocupem comigo.

Preocupem-se com os tipos de políticos que continuam sendo conduzido ao poder para acobertar crimes e cometê-los, quando lhes apraz.

Não me lamentem a sorte.

Lamentem a sorte do Brasil, de Alagoas, de Matriz de Camaragibe, embebidos no crime impune, sob a penalização da vida.

 

 

 



Escrito por Ana Cláudia Laurindo às 08h05
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